O que fabricantes precisam avaliar antes de entrar no varejo?

Expandir uma marca para o varejo pode representar um passo importante para fabricantes que buscam alcançar novos consumidores, aumentar sua presença no mercado e criar novas oportunidades comerciais. Mas colocar produtos nas prateleiras é apenas uma parte dessa estratégia.

Antes de buscar novos pontos de venda, sua indústria precisa avaliar se o produto tem aderência ao canal, se o preço funciona dentro dessa dinâmica comercial, quais itens do portfólio devem ser priorizados e, principalmente, se a operação consegue acompanhar o crescimento.

Afinal, conquistar espaço no varejo e não conseguir manter o abastecimento, a reposição ou o giro esperado pode transformar uma oportunidade de expansão em um desafio operacional.

Por isso, entrar no varejo exige olhar além da primeira venda. Neste artigo, você vai entender os principais fatores que fabricantes devem considerar para construir uma presença mais consistente nesse mercado.

Entrar no varejo exige mais do que conquistar espaço na prateleira

Quando uma indústria começa a planejar sua expansão, é natural concentrar atenção na abertura de novos pontos de venda. Quanto maior a presença da marca, maior tende a ser sua possibilidade de chegar ao consumidor.

Entretanto, quantidade de PDVs não deve ser analisada isoladamente.

O fabricante precisa pensar em toda a jornada do produto: como ele chegará às lojas, quais estabelecimentos fazem sentido para sua estratégia, quanto será necessário manter em estoque, como acontecerá a reposição e como será acompanhado o desempenho dos produtos.

Podemos dividir esse planejamento em três momentos:

Antes de entrar: avaliar mercado, público, canais, preço e mix.

Para permanecer: garantir capacidade de produção, abastecimento, estoque, logística e reposição.

Para crescer: acompanhar giro, sell-in, sell-out, distribuição e oportunidades de ampliação da cobertura.

Essa visão ajuda a evitar um erro importante: considerar a entrada no varejo como a linha de chegada.

Para o fabricante, ela é apenas o início de uma nova etapa comercial.

O produto tem aderência ao canal escolhido?

Nem todo produto precisa estar em todo tipo de estabelecimento.

Antes de ampliar a distribuição, é importante entender onde estão os consumidores que sua marca deseja alcançar e em quais canais eles esperam encontrar os produtos da categoria.

Um fabricante de produtos de higiene, por exemplo, pode encontrar oportunidades em supermercados, farmácias, lojas especializadas, atacarejos e outros estabelecimentos. Entretanto, a relevância de cada canal dependerá do público, posicionamento, categoria, frequência de compra e estratégia da marca.

Algumas perguntas ajudam nessa avaliação:

  • Quem é o consumidor prioritário do produto?
  • Onde esse público costuma comprar a categoria?
  • Quais regiões apresentam maior potencial?
  • Quais tipos de estabelecimento combinam com o posicionamento da marca?
  • O produto atende às necessidades e características daquele canal?

Portanto, ampliar presença não significa simplesmente buscar o maior número possível de lojas. Significa estar nos lugares que aumentam as possibilidades de o produto chegar ao consumidor certo.

Como escolher os canais de distribuição?

Depois de identificar onde a marca pretende estar, o fabricante precisa decidir como seus produtos chegarão até esses pontos de venda.

Existem diferentes estratégias de distribuição. A indústria pode atender determinados clientes diretamente ou trabalhar com intermediários capazes de conectar seus produtos aos varejistas.

O Sebrae destaca que a definição dos canais de distribuição deve considerar como fazer o produto chegar ao cliente certo, no momento e na quantidade adequados. A instituição também diferencia estratégias de distribuição exclusiva, seletiva e intensiva.

Para bens de alto consumo, incluindo produtos de higiene, a distribuição intensiva pode ser utilizada quando existe interesse em disponibilizar o produto em uma quantidade maior de estabelecimentos.

Isso significa que a escolha do canal não deve acontecer apenas com base no custo da operação. O fabricante precisa considerar também questões como cobertura desejada, características do produto, estrutura comercial e capacidade logística.

Em outras palavras, a pergunta não é somente “onde queremos vender?”, mas também “qual estrutura precisamos para chegar até lá?”.

Preço e margem precisam funcionar para toda a cadeia

Outro ponto importante antes de entrar no varejo é avaliar a formação de preço.

Olhar somente para o preço praticado pela indústria pode gerar uma visão incompleta da operação. Até chegar ao consumidor, o produto passa por uma dinâmica comercial que precisa ser sustentável para os diferentes participantes da cadeia.

Além dos custos envolvidos, o fabricante precisa considerar seu posicionamento e a realidade competitiva da categoria.

Um produto pode ter excelente qualidade, mas encontrar dificuldade para ganhar espaço caso seu preço final fique desalinhado ao mercado ou à percepção de valor que a marca consegue construir.

Por isso, preço, posicionamento e estratégia de distribuição precisam conversar entre si desde o planejamento da expansão.

O mix de produtos está adequado ao varejo?

Entrar em um novo canal não significa necessariamente levar todo o catálogo da indústria para as lojas.

Dentro de um mesmo portfólio, determinados produtos podem apresentar maior aderência a um tipo de estabelecimento, região ou perfil de consumidor.

Por isso, o fabricante precisa avaliar quais SKUs devem receber prioridade na entrada e expansão no varejo.

Alguns critérios importantes são:

  • histórico de vendas;
  • características de cada canal;
  • faixa de preço;
  • frequência de compra;
  • demanda regional;
  • posicionamento da marca;
  • desempenho dos diferentes produtos.

A partir dessas informações, é possível construir um mix mais coerente com cada oportunidade comercial.

Essa análise também pode evoluir conforme a marca acumula dados de mercado. O desempenho dos primeiros produtos ajuda a orientar decisões futuras sobre ampliação, redução ou adaptação do sortimento.

Sua produção consegue acompanhar o crescimento da demanda?

Existe uma pergunta que todo fabricante deveria fazer antes de acelerar sua entrada no varejo:

Se a estratégia funcionar, minha operação estará preparada para atender ao crescimento?

A expansão aumenta o potencial comercial, mas também pode elevar a necessidade de produção, estoque, transporte e reposição.

Imagine que uma marca conquiste dezenas de novos PDVs e consiga gerar interesse pelos seus produtos. Se a indústria não tiver estrutura para manter o abastecimento, as prateleiras podem ficar vazias justamente quando o consumidor começa a procurar pela marca.

Esse cenário está relacionado à chamada ruptura de estoque, quando o produto que deveria estar disponível não pode ser encontrado pelo consumidor no momento da compra.

Por outro lado, simplesmente aumentar os estoques também não resolve a questão. Um volume muito acima da demanda pode representar mercadoria com baixo giro e capital imobilizado.

O objetivo, portanto, é buscar equilíbrio entre demanda, capacidade produtiva, estoque e reposição.

Sell-in e sell-out: vender ao varejo não significa vender ao consumidor

Para compreender se a expansão realmente está funcionando, dois conceitos são especialmente importantes: sell-in e sell-out.

Sell-in representa, de forma simplificada, a venda feita pela indústria para o canal de distribuição ou varejo.

Sell-out corresponde à saída do produto para o consumidor final.

Essa diferença é fundamental.

Imagine que determinado produto seja vendido em grande quantidade aos clientes varejistas. Inicialmente, o resultado pode parecer muito positivo para a indústria. Mas, se o consumidor não estiver comprando o produto na mesma proporção, o estoque pode começar a se acumular no canal.

Por isso, o fabricante não deve observar somente quanto consegue colocar no mercado.

Entender o giro dos produtos e sua saída para o consumidor ajuda a construir uma leitura mais completa do desempenho e permite tomar decisões sobre mix, abastecimento e expansão com maior embasamento.

Giro e reposição sustentam a presença no PDV

Conquistar um novo ponto de venda é importante. Fazer o produto permanecer disponível nele é outra etapa da estratégia.

É justamente por isso que giro e reposição precisam entrar no planejamento do fabricante.

Uma operação saudável busca criar um ciclo:

presença no PDV → venda → reposição → continuidade.

Quando esse ciclo funciona, a presença da marca deixa de depender apenas da primeira negociação comercial.

Por outro lado, se um produto apresenta baixa saída, pode ser necessário investigar preço, mix, canal, posicionamento ou demanda antes de simplesmente ampliar a distribuição.

Da mesma forma, quando existe boa saída, mas a reposição não acompanha o ritmo, a indústria corre o risco de perder oportunidades de venda por falta de disponibilidade.

Acompanhar esses indicadores permite transformar expansão em um processo contínuo de aprendizado e ajuste.

Quando trabalhar com uma distribuidora faz sentido para o fabricante?

Conforme a indústria amplia sua presença, surge outro desafio: chegar a diferentes estabelecimentos e regiões sem necessariamente construir internamente toda a estrutura necessária para atendê-los.

Nesse contexto, trabalhar com uma distribuidora pode fazer parte da estratégia do fabricante.

Distribuidores funcionam como um elo entre indústria e varejo e podem participar do processo de levar produtos a diferentes pontos de venda.

Essa parceria tende a ser especialmente relevante quando a indústria busca ampliar sua capilaridade, alcançar diferentes perfis de varejistas ou estruturar sua distribuição em determinados mercados.

Isso não significa, porém, que simplesmente escolher qualquer distribuidor seja suficiente.

O fabricante deve avaliar fatores como:

  • aderência entre a distribuidora e sua categoria;
  • regiões e canais atendidos;
  • estrutura logística;
  • experiência no segmento;
  • relacionamento com o mercado;
  • capacidade de atendimento;
  • alinhamento comercial entre as empresas.

Mais do que contratar um operador, a indústria deve buscar uma relação em que os objetivos de distribuição estejam alinhados à sua estratégia de crescimento.

Distribuição também precisa fazer parte da estratégia de crescimento

Um erro possível durante a expansão é desenvolver toda a estratégia comercial e deixar a distribuição para ser resolvida apenas no final.

Na prática, a maneira como os produtos chegarão ao mercado interfere diretamente nas possibilidades de crescimento da marca.

Se a indústria pretende conquistar novos PDVs, precisa entender antecipadamente como esses estabelecimentos serão atendidos. Se deseja chegar a novas regiões, precisa avaliar como manterá disponibilidade e reposição nesses mercados.

Por isso, distribuição não deve ser vista apenas como deslocamento físico de mercadorias.

Ela faz parte da estratégia que conecta produção, estoque, canais, varejistas e, finalmente, consumidores.

Para fabricantes de produtos de consumo recorrente, essa relação se torna ainda mais relevante: quanto maior a necessidade de disponibilidade, maior a importância de estruturar uma operação capaz de manter os produtos acessíveis ao mercado.

Prepare sua marca para crescer no varejo

Entrar no varejo pode abrir novas oportunidades para sua indústria, mas a decisão precisa ir além da conquista de espaço nas prateleiras.

Antes de expandir, avalie se o produto está adequado aos canais escolhidos, se preço e mix fazem sentido, se sua capacidade produtiva acompanha a demanda e se existe estrutura suficiente para abastecimento e reposição.

Depois da entrada, acompanhar sell-in, sell-out e giro ajuda a entender se os produtos estão apenas chegando ao varejo ou se estão efetivamente avançando até o consumidor.

Em resumo: entrar no varejo coloca o produto na prateleira. Permanecer exige fazer essa prateleira girar e conseguir abastecê-la novamente.

É nesse ponto que a estratégia de distribuição ganha relevância.

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Se sua marca está se preparando para ampliar a presença no varejo, conheça a 7Y Distribuidora e entenda como uma parceria de distribuição pode fazer parte dessa estratégia.

 

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